Durante a campanha para estas eleições mal se ouviu falar da ‘situação internacional’, que é uma metáfora da ‘crise ucraniana’ ou da ameaça da ‘derrota ucraniana’ às mãos russas - ou, ainda, da hipotética ‘derrota europeia’. De facto, com esta crise, todas as promessas ficam sem efeito. Há dois anos, muitos europeus pensaram ainda no seu velho continente como um anfiteatro onde podiam assistir, tranquilamente, ao filme da guerra. Não tinham percebido que a guerra era nas nossas fronteiras e que esse mundo mudara em 2016, quando a Rússia invadiu a Crimeia. O sonho da ‘paz perpétua’, o desígnio kantiano, acompanhado do conforto nos lares e do bem-estar adquirido em décadas estão ameaçados por esse triunfo russo, que não se deterá às portas de Kaliningrado e ri da ‘bandeira branca’ de um papa com gosto pelo populismo. A Europa, fraca e solene, esperava que o mundo acompanhasse a sua indignação diante da agressão russa. Está agora a perceber o tamanho da sua solidão. E da sua fraqueza.
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