Cá estamos. Perdão, cá estou – que é assim que começa ‘O Delfim’, de José Cardoso Pires, um dos grandes romances portugueses do século XX. A nossa vida é feita de arrependimentos; Óscar Lopes lamentava que a literatura portuguesa não tivesse seguido mais o caminho de Aquilino Ribeiro e menos o de Fernando Pessoa, porque as coisas teriam sido diferentes. Limito-me a dizer que é pena que o romance português não tenha percebido as lições de ‘O Delfim’ e de ‘Alexandra Alpha’ (e de ‘Balada da Praia dos Cães’), porque teria seguido melhores caminhos. Hoje, dia em que se assinala o centenário do nascimento de José Cardoso Pires (1925-1998), não é altura de sentimentalismos – ele é o nosso Norman Mailer, e cada um desses romances são os retratos dos regimes em que Cardoso Pires viveu, e das suas comanditas, limpando o romance da “tralha neo-realista” e sacrificando a moral e a ideologia ao dever de escrever uma boa história e de a escrever bem, dedicando-se a ela inteiramente. Hoje, a sua língua soa-nos como uma força imortal.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.
As superpotências estão mais frágeis e os conflitos mais imprevisíveis.
Todos estão insatisfeitos, preocupados, escandalizados ou em torpor profundo.
Na literatura, por exemplo, é muito raro encontrar novos autores que não estejam marcados pelo ferrete da vitimização e da queixinha.
Retratista único, Goya é um dos génios de Espanha e da Europa.
Trump, afinal, pode ser contrariado. O seu poder tem limites.
O Correio da Manhã para quem quer MAIS
Sem
Limites
Sem
POP-UPS
Ofertas e
Descontos