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Carlos Anjos

Carlos Anjos

Presidente da Comissão de Proteção de Vítimas de Crimes

Credibilidade do sistema

06 de agosto de 2026 às 00:30

Os exames nacionais de 2026 ficaram marcados por um clima de desconfiança que dificilmente será esquecido. A sucessão de problemas, atrasos, polémicas e decisões contestadas abalou a confiança de milhares de estudantes e respetivas famílias, precisamente num momento decisivo do percurso académico. Quando a avaliação é encarada como pouco transparente ou sujeita a falhas, instala-se a dúvida sobre a igualdade de oportunidades, um dos pilares fundamentais do sistema educativo. Esta perda de confiança acaba por estender-se inevitavelmente à tutela da Educação e à capacidade do Ministério para garantir um processo rigoroso, previsível e credível. Independentemente das responsabilidades concretas, a perceção pública é um fator determinante: quando alunos e pais deixam de acreditar que o sistema funciona de forma justa, fica comprometida não apenas a legitimidade dos exames nacionais, mas também a confiança nas instituições que os organizam e supervisionam. A confiança é um dos ativos mais importantes de qualquer sistema educativo. Para a recuperar, mais do que explicações ou justificações, exigirá transparência, e acima de tudo, capacidade de reconhecer os erros cometidos, e garantias que este tipo de situações não voltarão a a ocorrer.

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