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Carlos Anjos

Carlos Anjos

Presidente da Comissão de Proteção de Vítimas de Crimes

Frustração e crime

15 de janeiro de 2026 às 00:30

Um inspetor da ASAE disparou sobre um indivíduo por motivos passionais. Terá agido por ciúmes, acreditando que a esposa mantinha um relacionamento com outro homem, funcionando a suposta traição como detonador do seu ato. Em termos gerais, num incidente deste tipo, o motivo está ligado a uma reação emocional extrema, que leva a um descontrolo emocional. O ciúme, na nossa sociedade, continua ligado ao medo de perda e à sensação de humilhação pessoal. Quando o vínculo amoroso é vivido como extensão do próprio valor pessoal, a suspeita de traição pode ser sentida como uma aniquilação simbólica do próprio indivíduo. O outro deixa de ser o rival e passa a representar a rejeição e a humilhação. A raiva, nestes contextos, funciona muitas vezes como uma emoção defensiva, surgindo para mascarar sentimentos de impotência, vergonha e humilhação. O problema é que, quando a raiva não é filtrada pela razão, transforma-se numa ação impulsiva e frequentemente muito violenta. A incapacidade para lutar contra a frustração tem levado nos últimos tempos cidadãos comuns, como o inspetor da ASAE, a cometer crimes bárbaros e a tornar a sociedade mais violenta. Torna-se urgente tratar da saúde mental dos portugueses, de forma a diminuir estes casos, tornando-os mais resilientes à frustração.

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