Carlos Anjos
Presidente da Comissão de Proteção de Vítimas de CrimesCinco meses depois do desaparecimento de Mónica Silva, as coisas pioraram, agora no interior da família. Depois de terem transformado o desaparecimento e possível homicídio numa telenovela, zangaram-se todos uns com os outros. Existem suspeitas que ocorreu um homicídio, há um suspeito em prisão domiciliária, mas o cadáver nunca apareceu. É bom precisar que o referido suspeito nega a autoria do crime, bem como saber onde está ou o que foi feito do cadáver. Exigir, de uma forma quase insana que ele diga onde está o corpo, só é entendível pelo sofrimento da família, já que se isso ocorresse seria a assunção por parte de Fernando Valente da autoria do crime. Ele vai sempre negar a autoria do crime, mesmo que tenha sido o responsável. Esta é a sua única hipótese de não ser preso. Mas a forma como a família se tem portado, quer durante as buscas, a loucura que ali se viveu, a forma destemperada com que faziam declarações, dizendo uma coisa e o seu contrário minutos depois, só podia acabar mal, com todos zangados uns com os outros e com acusações de quererem ganhar dinheiro com o caso. Nada disto era necessário. No final, para além do desaparecimento de Mónica, ainda vão ficar todos zangados uns com os outros. Duas tragédias.
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