Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoA propósito das escutas a António Costa no âmbito da 'Operação Influencer' gerou-se um turbilhão mediático, pior do que tivesse caído o Carmo e a Trindade. Importa esclarecer que o então primeiro-ministro não estava a ser escutado. Surge de forma incidental a falar com suspeitos que estavam sob investigação. Mas por causa disso já há vozes respeitadas a atacar as escutas e praticamente a defender uma coutada especial para políticos. Se isso acontecer como é que se prova o tráfico de influências, os esquemas de corrupção e outros golpes de colarinho branco à conta das mercês do Estado? Foi por causa dos respeitinho da justiça aos políticos que Sócrates não foi apanhado mais cedo, até antes de ser primeiro-ministro, e que muitos barões prosperaram no cavaquismo, acumularam fortuna e ficaram impunes. A Justiça tem de ter meios para investigar e atacar os crimes de colarinho branco. Se a obtenção de prova for dificultada, ficamos todos a perder, porque a corrupção é imposto insidioso pelo qual pagamos muito caro, ficando o País mais pobre.
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