Há uma razão para que Miguel de Cervantes (1547-1616), o autor do ‘Quixote’, tenha ficado privado da mão esquerda: “Lá me deram três tiros de arcabuz, dois no peito e um na mão esquerda, para glória futura da mão direita.” Lá, ou seja, na batalha de Lepanto, que impôs um travão ao domínio otomano do Mediterrâneo a 7 de outubro de 1751, depois de os turcos terem tomado Chipre aos venezianos. Seja como for, a aliança dos exércitos católicos (em Espanha reinava já Filipe II; o sultão turco era Selim II, filho de Solimão, o Magnífico) saiu vitoriosa; a água do mar ficou tingida de sangue. A memória de Cervantes não é amarga, embora tivesse uma vida difícil e penosa, e o escritor não entra em queixumes: quando compara as armas e as letras, valoriza o heroísmo verdadeiro e não pede favores, indo à luta – sobrava-lhe a mão direita, com que escreveu o que tinha a escrever, depois de ter sido fugitivo à justiça, de ter estado cativo em Argel durante cinco longos anos como um escravo de guerra (libertado em 1580, vive em Lisboa dois anos, de 1581 a 1583, no início do reinado português de Felipe II de Castela), de ter sido soldado, de ter falido por incúria sua ou desastre alheio. Depois disso, publica a primeira parte de ‘El ingenioso hidalgo Don Quixote de La Mancha’ (começado na prisão, talvez) em 1605. A segunda parte sairá apenas em 1615, um ano antes da morte, crê-se que por pressão do editor (um mau pagador), já que tinha começado a publicar-se uma sequência do volume inicial, mas não da sua autoria.
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É o mais complexo dos romances, o mais citado e o mais querido, ligado a Cervantes como um todo inseparável.
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