Se no ano passado o país esteve sujeito à fúria do fogo (a área ardida foi a quarta maior de sempre), este ano sofreu a fúria do ar e da água com uma violência inusitada (um comboio de tempestades varreu o território, originando cheias em várias bacias hidrográficas). Há uma relação, ainda que indireta e complexa, entre estas fúrias: o aquecimento do globo provoca maior evaporação de água, que, mais cedo ou mais tarde, num sítio ou noutro, resulta em maior precipitação. Como a evolução meteorológica é manifestamente irregular, sempre houve anomalias, mas, por todo o mundo, estamos hoje a observar fenómenos extremos bastante mais intensos. Portugal tem fragilidades particulares, dada, por um lado, a sua localização no Sul da Europa, e, por outro, a sua exposição a depressões vindas do Atlântico. Acresce a existência de uma extensa mancha florestal, em geral malcuidada: a destruição da floresta pelos fogos de Verão desprotege os terrenos, agravando os estragos das cheias de Inverno.
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