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Victor Bandarra

Victor Bandarra

Jornalista

Cadastros

23 de agosto de 2026 às 00:30

Portugal vem ardendo em lume brando. Em 2017, o então primeiro-ministro, António Costa, disse: “O Governo vai mesmo avançar com o cadastro florestal.” Nove anos depois, o cadastro está longe de estar concluído. Apenas um terço dos prédios rústicos do Norte e Centro estão identificados e georreferenciados. Há décadas que os governos têm medo de avançar com o cadastro. Mexe com interesses locais e eleições autárquicas. Conceitos pomposos como reordenamento florestal ficam no papel. Milhares de pequenos proprietários deixaram de ligar às parcelas agora abandonadas que lhes deixaram os antepassados. Mas o fisco não se esquece de lhes enviar o IMI a pagar. Há quem queira doar o seu recôndito terreno ao Estado ou à autarquia. Um imbróglio, burocracia aos molhos e ainda se paga. Também este ano, os portugueses veem o país a arder em direto. Mais do que o incendiarismo, a falta de limpeza e a negligência humana levam ao pior. Até agora, ardeu menos do que em 2025. Montenegro elogia o trabalho de Luís Neves e aponta o bom cadastro profissional do ministro. Quanto a outros fogos e cadastros ministeriais, reza para que se vão apagando a conta-gotas. O pior são os reacendimentos.

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Um imbróglio, burocracia aos molhos e ainda se paga.

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