Desde os tempos de escola, há uns 40 anos, que não se cruzavam. Francisco, empresário de sucesso, e José, carpinteiro com menos sucesso, caem nos braços um do outro. A memória leva-os à adolescência. Continuam amantes de carros e do desporto automóvel. Recordam o lendário Rally das Camélias, em Sintra, e os clássicos da Citroën – a "arrastadeira" do Dr. Santos, o velho médico, e o "Boca de Sapo" do engenheiro Costa. Saudades a sério têm do Ford Capri do dono da pastelaria Central. E lá vem à conversa o famigerado aumento do IUC. Um escândalo, gritam os dois. O aumento parece pequeno mas é progressivo. Há mais de 3 milhões de veículos com mais de 16 anos no País. Um em cada quatro carros em Portugal tem mais de 20 anos. Para a maioria dos donos, são carros de trabalho. O aumento, lembra o Governo, é para ajudar o ambiente. José indigna-se. "Quem é que tem dinheiro para comprar um carro eléctrico?" Pois! E a metade da frota automóvel do Estado com mais de 16 anos? Não polui? Argumento puxa argumento. Nos protestos, José e Francisco entendem-se. José mantém a pequena carpintaria a funcionar. É o ganha-pão familiar. Tem uma carrinha para as entregas e um velho Fiat Punto de 2005. Sabe que ninguém consegue mudar de carro só para proteger o ambiente. Os portugueses envelhecem e os carros seguem-lhes a pisadas. O Fiat Punto de José vai pagar mais de IUC. Daqui a uns anos há-de despender um dinheirão. "E tu Francisco? Quanto é que vais pagar de IUC?" Francisco, pleno de ironia e senhor de bons cabedais, explica-se. "O meu não paga nada de IUC?" Surpresa. O empresário avança. "Sabias que os carros quando envelhecem passam a antigos?" José interroga-se. Francisco aconselha o amigo. "Faz como eu! Compra um Porsche 911 Carrera dos anos 60!" E então? "Estão isentos do pagamento do IUC os veículos com o estatuto de clás- sicos." A solução está aqui: comprem carros antigos, de preferência clássicos.
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