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Carlos Anjos

Carlos Anjos

Presidente da Comissão de Proteção de Vítimas de Crimes

O cobarde de Beja

02 de março de 2012 às 01:00

A família iria ficar na miséria e sofrer muito. Então, generosamente, quis poupá-los a essa vergonha, decidindo unilateralmente assassiná-los. Terá ainda referido que escolheu a catana por ser uma arma silenciosa, e assim ninguém se aperceberia dos seus actos. Assassinou a neta, de apenas quatro anos, porque não queria que ela ficasse sozinha. No fim, terá lamentado não ter posto fim à sua própria vida, porque não teve coragem.

Que triste personagem aquele que se mostra corajoso com os fracos, assassinando-os enquanto dormiam, e torna-se de seguida no mais submisso dos cobardes, conseguindo sobreviver uma semana, paredes-meias com os corpos dos seus familiares. O assassino de Beja, apenas por vergonha, não afirma que matou por amor, para preservar os seus entes queridos da vergonha da insolvência familiar. Que os matou, para os proteger. Mentira. Como um dia Gandhi disse: "Um cobarde é incapaz de demonstrar amor; isso é privilégio dos corajosos".

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