Com mais um ano a despedir-se, com mais umas eleições no horizonte, que vão marcar o sistema político por muitos anos, retenho duas ou três coisas do tempo que passa. A primeira é o registo de que as conveniências da República estão alinhadas naquele caso do remédio para as gémeas luso-brasileiras, que ninguém já vê como uma monumental cunha. Alguma esquerda, movida pelo medo de Ventura, roça o patético ao meter a cabeça na areia. As crianças são portuguesas, não passaram à frente de ninguém, logo não há cunha. O problema não são as crianças. O problema está numa casta que domina o Estado e o utiliza para se servir e servir a sua gente. Isso está no que foi dito por Correia de Campos, Eduardo Barroso e Francisco Ramos, entre muitos outros. Para estes, ou estamos no barco deles, ou estamos fora. É assim que esses ‘notáveis’ olham para a República há 50 anos. Já a direita alinhou-se na defesa de Marcelo e não quer ouvir falar no caso. Entramos em 2024, afinal, com a sociologia da endogamia do regime revigorada. Num tempo em que as velhas famílias do Estado Novo voltam a casar entre si, restaurando os interesses de sempre, muitos políticos do regime democrático voltam a prestar-se à vassalagem dos influentes. A si, caro leitor, que é um cidadão qualquer, no dicionário da casta, e tem de ir bater com os costados às urgências da gripe, desejo-lhe a sorte de ter muita saúde.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
A forma como as populações ficaram entregues à sua sorte, mostra o estado frágil do Estado que temos.
Seguro mostrou no debate como se pode ganhar a Ventura.
Ventura falhou na tese de que Seguro não diz nada de concreto.
ICE parece uma milícia sul-americana que parece inspirar o presidente de um país que já foi o farol da democracia.
Ventura já chegou aos 1,43 milhões de votos em legislativas, mas em fevereiro pode ficar perto dos dois milhões
Processar exercícios de humor fenece sempre numa enorme gargalhada.