Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoDe facto o governo nem esperou 48 horas depois da aprovação do Orçamento do Estado para aplicar uma subida de impostos, um agravamento eficaz que dá receitas e os visados quase nem notam, apesar de significar um encaixe da ordem dos 250 milhões de euros por ano. O truque não é novo, já foi repetido, mas funciona sempre. Por causa da descida do preço do petróleo, em queda consecutiva há três meses, os automobilistas iriam beneficiar esta semana de um grande alívio no preço do gasóleo e da gasolina. A portaria publicada sexta-feira à noite, antes de um fim de semana prolongado até podia passar despercebida. porque mesmo assim esta semana os combustíveis ficam mais baratos. Só que a poupança poderia ser maior, uma vez que já pagamos mais 1,6 cêntimos de imposto por litro no caso da gasolina e 2,4 cêntimos por litro no gasóleo.
Antes desta decisão do ministro das Finanças, antecipava-se para esta semana que a gasolina ficasse mais barata 3,5 cêntimos por litro e o gasóleo pudesse baixar 7 cêntimos por litro.
É verdade que o governo já tinha avisado que poderia aproveitar as descidas dos combustíveis no mercado para cortar no desconto do imposto sobre produtos petrolíferos. Mas não deixa de ser um brutal aumento de impostos, mesmo que agora seja politicamente correto tributar as emissões de combustíveis fósseis. As boas intenções são úteis para branquear o aumento da carga tributária.
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