A campanha presidencial parece uma espécie de homenagem a Maurice Duverger, sociólogo francês, um dos grandes pensadores do semipresidencialismo e do voto útil. A eleição a duas voltas, a dicotomia entre uma escolha mais livre na primeira volta e, depois, a concentração nos candidatos com mais hipótese de ganhar, baralham as abordagens de voto ideológico e partidário. Duverger criou as noções de voto estratégico e de ‘desperdício’. Há muitos exemplos, mas as presidenciais francesas de 2002 são de escola. Os eleitores de esquerda concentraram o voto em Chirac para impedir a eleição do patriarca Le Pen. Nas presidenciais cá do burgo, a situação de quase empate técnico entre cinco candidaturas, nas sondagens, acelerou a pressão do voto útil para a primeira volta. A ideia de que a ida à segunda volta se decidirá em ambiente de ‘fotofinish’, como no ciclismo, despejou carradas de nervosismo em algumas candidaturas. E se a incapacidade de perceber o óbvio pode colocar alguns partidos de esquerda entre os mais néscios da Europa, no universo da direita clássica começa a ser preocupante a dificuldade de combater candidatos populistas, que não sabem fazer mais do que explorar a falsa ideia de que são portadores de uma pureza originária. Se os desmontassem nas suas balelas com mais engenho e firmeza, não teriam tantas inquietações.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Nos disparates de Manuel João Vieira há crítica inteligente.
A ida à segunda volta vai decidir-se em ambiente de ‘fotofinish’.
Debates evidenciaram debilidade de Melo, mas Mendes não capitalizou.
A ação dos EUA arrisca causar uma fragmentação inimaginável da sociedade venezuelana.
Este ataque americano à Venezuela não é por causa da droga.
As presidenciais podem baralhar as contas da estabilidade.