Primeiro-ministro defendeu que "a autonomia estratégica da Europa é essencial".
O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, afirmou esta quarta-feira, em Sines, que a Europa tem de fazer um esforço de reindustrialização e, ao mesmo tempo, de ser capaz de o associar a uma política comercial mais ativa.
O chefe do Governo português defendeu ainda, em discurso após a assinatura de um contrato de investimento entre o Governo e a Repsol, que "a autonomia estratégica da Europa é essencial" e que a União Europeia (UE) "não pode estar tão dependente, como está, de bens essenciais".
A título de exemplo, recordou a falta de "coisas tão básicas como as máscaras", no início da crise da pandemia de covid-19, mas também, atualmente, "a falta de microchips que hoje paralisam muitos setores de atividade por falta e roturas na cadeia de abastecimento".
"Sim, a Europa não pode estar tão dependente do exterior. Tem de fazer um grande esforço de reindustrialização e tem de ser capaz de voltar a produzir na Europa aquilo que, imprevidentemente, deslocalizámos para outras regiões do mundo", frisou o primeiro-ministro de Portugal.
No entanto, "essa autonomia estratégica não pode significar protecionismo nem isolamento", lembrou António Costa.
"Tem de significar reforço da capacidade industrial, mas também tem de ser capaz de associar esse esforço a uma política comercial mais ativa, que valorize aquilo que é a maior força da Europa, que é sermos uma das três maiores economias à escala global. Essa é a nossa grande força e é essa força que temos de pôr em conjunto", sustentou.
Nesse sentido, António Costa considerou que o contrato de investimento assinado esta quarta-feira entre o Governo e a Repsol, que prevê incentivos fiscais de até 63 milhões de euros para um projeto de 657 milhões de euros, "mostra que tudo isto é possível e não tem de se ficar por palavras e por discurso".
"[São] duas novas fábricas que vão produzir bens essenciais para dar suporte ao conjunto da indústria europeia, da indústria automóvel à agroalimentar. E isto reforça a nossa autonomia, mas não nos fecha ao mundo. E é por isso que dessas duas fábricas, 90% [da produção] se destinarão, aliás, à exportação. Porque é fundamental, cada vez mais, exportarmos para todo o mercado global", concluiu o primeiro-ministro.
António Costa falava em Sines após assinatura do contrato de investimento entre a Repsol e o Governo, que prevê incentivos fiscais de até 63 milhões de euros para um projeto de 657 milhões de euros, apontado com "o maior investimento industrial da última década".
O contrato assinado esta quarta-feira entre a empresa e o Governo, no Complexo Industrial de Sines, vai permitir à Repsol investir na construção de duas fábricas de polímeros, cada uma com uma capacidade de 300 mil toneladas por ano, com produtos 100% recicláveis.
De acordo com a empresa, as tecnologias das duas fábricas, cuja conclusão está prevista para 2025, "garantem máxima eficiência energética, são líderes de mercado e as primeiras do género a serem instaladas na Península Ibérica".
A Repsol prevê que, na fase de construção, o projeto empregue uma média de 550 pessoas, atingindo um pico de mais de mil postos de trabalho. Prevê igualmente "o aumento líquido de postos de trabalho" de "cerca de 75 empregos diretos e 300 indiretos".
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