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Teresa Caeiro: “Temo que seja o ocaso do CDS”

Ex-vice presidenta da Assembleia da República comenta o atual estado do partido.

02 de novembro de 2021 às 01:30

Sou militante do CDS desde 1996 e foi com enorme honra que durante tantos anos servi o meu partido em várias funções. Houve circunstâncias difíceis, mas, sobretudo, houve um percurso com valores, com visão, consistente, tolerante e agregador. O CDS que conheci, sob a liderança de Paulo Portas, cresceu e foi relevante por aceitar as várias tendências dentro do partido, não afastando ninguém.

Nos últimos dias, é com tremenda pena, mas com respeito, que assisto a inúmeras desfiliações, nomeadamente, de alguns dos melhores quadros que tanto deram ao CDS, contribuindo para a sua credibilidade e prestígio. Ora, tão grave quanto a saída de militantes é a absoluta indiferença com que a actual direção encara estes afastamentos. Nenhum partido pode crescer perdendo os seus melhores, desmotivando as suas bases e defraudando os seus simpatizantes.

O actual directório do CDS tinha convocado um Congresso regular e electivo para finais de novembro. Mas, subitamente, temendo a sua irrelevância política na perspectiva de eleições antecipadas, optou por desconvocá-lo, retirando aos militantes o direito a decidirem com que líder querem concorrer e com que estratégia querem enfrentar as eleições. Em política, como na vida, quem tem medo compra um cão. O CDS cresceu com uma ética de coragem. Não crescerá com uma ética de fuga. Esta direção parece estar a fazer tudo para deixar o CDS numa posição de irrelevância política, de subserviência ou de falta de autonomia. A sangria de quadros e de militantes terá, obviamente, efeitos negativos não só para o partido, mas também para o sistema político nacional, no qual o CDS sempre teve um papel incontornável desde a construção da democracia. Em suma, esta direção do CDS parece não se dar conta que, para qualquer pessoa exterior ao partido, começando pelos seus simpatizantes, o que aconteceu nos últimos dias degradou o CDS enquanto instituição e pode transformá-lo, perigosamente, num tema tóxico.

Pessoalmente, estou a fazer uma reflexão sobre o que me fez filiar no CDS e sobre aquilo em que o CDS se está transformar com esta liderança. Temo que estejamos a assistir ao ocaso de um Partido que prestou muitos serviços ao País.

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