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Comandante do Fundão não resistiu à pressão e demitiu-se pelo caso de abusos no quartel de bombeiros

José Sousa escreveu carta aberta. Mas horas antes dissera ao CM que não se iria demitir, mesmo após se ter sabido da readmissão de 'Xico da Serra'.

29 de novembro de 2025 às 01:30

José Sousa demitiu-se. O comandante dos bombeiros do Fundão não resistiu à pressão e depois de ser confrontado com suspeitas de abusos sexuais anteriores, no mesmo quartel, aceitou sair pelo seu próprio pé. A situação tornou-se insustentável nas últimas horas, depois de conhecer a manchete do CM que dava conta de que o bombeiro 'Xico da Serra' - um dos 11 detidos pela PJ por suspeita de violação de um bombeiro de 19 anos recém-entrado na corporação - já tinha atacado sexualmente, também num contexto de praxe, um outro jovem do quartel há 16 anos. Em 2009, foi então expulso e acabou agora readmitido pelo comandante que conhecia a situação.

José Sousa fez ontem uma carta aberta aos moradores do Fundão pedindo que a confiança da população se mantivesse na corporação. Horas antes, ao CM, garantia que tinha a cabeça a prémio, mas que não se ia demitir porque isso seria assumir a culpa.

“Assim que os factos chegaram ao meu conhecimento, determinei de imediato: o apoio integral à vítima, recolhendo informação rigorosa sobre o sucedido; a abertura de um processo disciplinar, com o objetivo de apurar sem hesitações todos os factos e responsabilidades”, escreveu agora num comunicado.

Refira-se ainda que a demissão foi entretanto aceite e nos próximos dias deve saber-se quem é o novo comandante, designadamente se o atual número dois sobe ao cargo. Poderá ser uma escolha inevitável, já que a posição de Pedro Caldinho foi exemplar neste processo. Foi ele quem apoiou o jovem de 19 anos e o incentivou a apresentar queixa. Foi também ele quem aceitou a sua suspensão temporária, para que possa voltar aos bombeiros se assim o entender.

A procuradora do ministério Público não pediu a prisão preventiva de nenhum dos arguidos. O juiz nada mais podia fazer: acedeu ao pedido pelo MP e libertou-os.

José Sousa admitiu ao CM que o número de arguidos pode subir. Fala em 17 envolvidos no caso que está a ser investigado pela PJ da Guarda.

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