Técnicos estiveram concentrados em frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa.
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Dezenas de técnicos de saúde exigiram esta quarta-feira em frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa, negociações dos contratos de trabalho e das carreiras, algumas das quais estão pendentes desde 2023.
"Temos trabalhadores técnicos auxiliares de saúde que, por via da não negociação do Acordo Coletivo de Trabalho, neste momento estão a perder bastante dinheiro porque não são posicionados em níveis remuneratórios adequados ao tempo de desempenho que têm" disse à Lusa a coordenadora nacional na área da saúde da Federação Nacional Sindical de Servidores em Funções Públicas (FNSTFPS), que convocou o protesto.
Elisabete Gonçalves disse que há várias matérias para negociar, como a contratação de trabalhadores, mas "não há politicamente uma vontade para resolver as questões".
Segundo a responsável, os sindicalistas têm estado "a ser empurrados de um lado para o outro", entre diferentes organismos da administração pública, indicando que desde 2020 e até antes dessa data que existem revindicações em relação aos Acordos Coletivos de Trabalho, às carreiras, à contratação de trabalhadores, entre outras.
Por volta das 11:30, na Avenida João Crisóstomo, em Lisboa, cortada ao trânsito, os manifestantes protestaram com gritos e cartazes com palavras de ordem como "fartos de esperar, as carreiras são para negociar" e "Ministra escuta, os trabalhadores estão em luta".
A técnica auxiliar de saúde Lídia Alves disse à Lusa que existem pessoas que já exercem a profissão há 30 anos e que recebem o mesmo que pessoas que iniciaram funções agora, indicando que os pontos necessários para progredir na carreira desapareceram e que ninguém sabe dizer o que aconteceu.
"Estão a ganhar pouco mais que o ordenado mínimo [920 euros]", referiu Lídia Alves, indicando que já pedem esclarecimentos há um ano em relação aos pontos que desapareceram.
O técnico auxiliar de saúde Nelson Oliveira disse à Lusa que sem o Acordo Coletivo de trabalho há profissionais que fazem 40 horas semanais, ao invés de fazerem 35.
"Sem o Acordo Coletivo de Trabalho, não temos também essas particularidades, que são direitos que já foram conquistados e que não vemos reconhecidos", lamentou Elson Oliveira.
A técnica superior de farmácia Joana Botas exigiu melhores condições de trabalho e denunciou ataques ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), indicando que é um desgaste diário "tentar trabalhar" sem o material necessário.
"Os concursos para a aquisição de medicamentos e de materiais são bloqueados e nós sabemos que são bloqueados pela tutela", disse Joana Botas.
No decorrer da concentração, foi entregue no Ministério da Saúde um abaixo-assinado com mais de 6.700 assinaturas em que é exigida a abertura da negociação dos acordos coletivos de trabalho para os Técnicos Auxiliares de Saúde, os Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica e os Técnicos Superiores de Saúde e o Acordo Coletivo de Trabalho das carreiras não revistas da Saúde.
Elisabete Gonçalves referiu no entanto que a federação não foi recebida pelo Governo.
Na concentração, que terminou por volta das 12:30 com a reabertura da Avenida João Crisóstomo, Elisabete Gonçalves disse que a luta vai continuar e que, conforme a vontade dos trabalhadores, vão realizar-se mais protestos.
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