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Ansião ainda só conseguiu dar resposta a 250 dos 950 pedidos de ajuda para casas afetadas pelo mau tempo

A adensar à falta de pessoal os trabalhos de reparação têm sido dificultados pelo mau tempo que se sente desde a depressão Kristin.

10 de fevereiro de 2026 às 14:13

A Câmara de Ansião ainda só conseguiu dar resposta a 250 dos 950 pedidos registados de ajuda na reparação de casas no concelho, afirmou esta terça-feira o presidente do município, salientando que falta muita mão-de-obra especializada.

"Tivemos 950 pedidos de apoio até sábado. Conseguimos dar resposta a cerca de 250. Portanto, muita gente ou resolveu o problema com capacidade própria ou não resolveu de todo. Ainda estamos a fechar ocorrências que registámos no início da catástrofe, porque é impossível chegar a todo o lado", disse à agência Lusa o presidente daquele município do distrito de Leiria, Jorge Cancelinha.

A adensar à falta de pessoal para resolver os problemas registados a 28 de janeiro, com a passagem da depressão Kristin, os trabalhos de reparação têm sido dificultados pelo mau tempo que se sente desde então, notou, vincando que "a subida aos telhados tem de ser cautelosa".

O autarca explicou que "falta muita mão-de-obra especializada" e referiu que todos os empreiteiros locais estão recrutados, havendo também empresas de fora a operar no concelho e voluntários que se disponibilizaram a ajudar.

"Se se disponibilizassem mais pessoas, mais trabalho poderíamos fazer. Ainda há muita coisa por fazer", notou, referindo que tem sido a iniciativa privada a assegurar "uma grande ajuda e continuada".

A prioridade das resoluções dos problemas nos telhados é definida pelo município, procurando atender em primeiro lugar a casos mais críticos e onde há maior vulnerabilidade social, explicou.

"Há uma folha de obra que sai todos os dias e depois ao final do dia fazemos sempre um ponto de situação. Às 18:00, reunimos todos no posto de comando - todos os atores que andam no terreno - para fazermos o balanço do que foi feito, do que está bem feito, do que ficou mais ou menos bem feito e do que se pode melhorar no dia seguinte", afirmou.

Além disso, apesar de a energia ter sido reposta em grande parte do concelho, ainda há 415 clientes há 14 dias sem luz, observou.

"Andam equipas no terreno a tentar restabelecer as ligações", contou o autarca, afirmando que, neste momento, o problema já não é a falta de geradores, mas assegurar as ligações de baixa tensão a habitações.

Até ao final da semana, o município vai manter pontos de internet e água quente, estando agora também a ajudar no preenchimento dos pedidos de apoio na reconstrução das casas.

Para Jorge Cancelinha, a intervenção que é preciso ser feita no concelho "não é uma corrida de 100 metros", mas antes uma maratona.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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