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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Associação de TVDE quer tarifas mínimas na nova lei do setor

Motoristas trabalham "muito para além das 40 horas semanais para conseguirem rendimentos", refere o presidente da Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados.

20 de outubro de 2025 às 14:11

A Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados (APTAD) entregou ao Governo uma proposta de revisão da lei que regula o setor, visando garantir "tarifas mínimas" e uma "remuneração justa dos motoristas", revelou esta segunda-feira aquela entidade.

A proposta apresentada pela APTAD ao Governo propõe medidas para assegurar tarifas mínimas justas, sustentabilidade económica, limites de disponibilidade diários e semanais dos motoristas, taxas de ocupação mínimas por plataforma, impedimento de inscrição de novos veículos onde a plataforma estiver abaixo do mínimo e uma maior separação estrutural entre operadores e plataformas eletrónicas.

Segundo o presidente da APTAD, Ivo Miguel Fernandes, a lei que regula o setor, feita em 2018 e nunca revista desde então, "provoca desequilíbrios muito significativos entre as plataformas, os operadores de Transporte Individual e Remunerado de Passageiros em Veículos Descaracterizados a partir de Plataforma Eletrónica (TVDE) e os motoristas, que estão na linha da frente e prestam o serviço".

"Há um desequilíbrio que tem vindo a provocar um esmagamento completo dos operadores, que se sentem esmagados e acabam por repassar grande parte do risco do negócio para os motoristas", disse à Lusa o presidente da APTAD.

Os motoristas trabalham "muito para além das 40 horas semanais para conseguirem rendimentos, mas, a maior parte das vezes, o rendimento que conseguem é inferior ao salário mínimo nacional, o que é completamente inaceitável, porque provoca uma degradação do setor e uma desvalorização da mão-de-obra", acrescentou.

Ivo Miguel Fernandes destacou "dois pilares fundamentais" da proposta de alteração da Lei n.º 45/2018 (TVDE), que a APTAD apresentou à Secretaria de Estado da Mobilidade, e que, a serem considerados pelo Governo, permitiriam reequilibrar a relação entre as plataformas e os operadores, designadamente a existência de uma tarifa mínima, impedindo as plataformas de venderem o serviço prestado pelos operadores abaixo do preço de custo.

O segundo pilar da proposta da APTAD, acrescentou o responsável, passa por "garantir o equilíbrio entre a oferta e a procura, através de um modelo de taxa de ocupação que permita assegurar que os veículos que estão ao serviço das plataformas estão, efetivamente, a trabalhar".

"As nossas propostas estão em muito alinhadas com as propostas dos relatórios da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes. Estamos confiantes - nem acreditamos noutra coisa -, de que a proposta que o Governo irá apresentar para remodelar esta legislação estará, obviamente, em linha com aquilo que nós defendemos e com aquilo que a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes defende. O que nos foi garantido é que, nas próximas semanas e antes do final do ano, o Governo apresentaria essa proposta", concluiu o responsável da APTAD.

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