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Dinossauros Iguanodon podem ser 16 milhões de anos mais antigos do que se pensava

Cientistas dão conta de uma "linhagem fantasma" de cerca de 16 milhões de anos, "um intervalo de tempo em que os iguanodontianos já deveriam existir, apesar de ainda não terem sido encontrados fósseis".

23 de abril de 2026 às 14:12

Os dinossauros herbívoros iguanodontianos terão existido durante cerca de 16 milhões de anos antes do que se pensava a partir da observação de registos fósseis, segundo um estudo internacional divulgado esta quinta-feira pela Universidade Nova de Lisboa (UNL).

O trabalho de "larga escala" revela que os Iguanodon, "um dos grupos mais emblemáticos da história da Paleontologia, podem ter começado a diversificar-se há mais de 186 milhões de anos", indica a UNL em comunicado.

Publicado na quarta-feira na revista científica Palaeontology, o estudo demonstra que, "embora o registo fóssil documente claramente a presença de iguanodontianos a partir do Jurássico Médio -- Superior, a história evolutiva deste grupo começou bastante antes, entre o Jurássico Inferior e Médio, um período de profundas transformações globais, marcado pela instabilidade climática e pela fragmentação do supercontinente Pangeia".

"Descobrimos que estes dinossauros existiam muito antes de podermos observá-los claramente nos registos fósseis que conhecemos hoje, que mostram apenas os capítulos mais tardios da sua história evolutiva", explica Filippo Maria Rotatori, do laboratório GEOBIOTEC da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Nova, citado no comunicado.

Os cientistas dão conta de uma "linhagem fantasma" de cerca de 16 milhões de anos, "um intervalo de tempo em que os iguanodontianos já deveriam existir, apesar de ainda não terem sido encontrados fósseis inequívocos desse período".

A equipa de investigadores reuniu "um dos conjuntos de dados mais completos alguma vez compilados" sobre o grupo, combinando informação já existente com novas observações de fósseis até aqui pouco estudados, sobretudo da Península Ibérica.

Ao integrar dados do crânio e do resto do corpo, conseguiu "reconstruir um panorama evolutivo mais robusto e coerente".

"Longe de serem apenas uma etapa intermédia na evolução dos dinossauros herbívoros, estes animais surgem como um grupo diverso, adaptável e altamente bem-sucedido à escala global".

Além de antecipar as estimativas sobre a existência do género Iguanodon, o estudo coloca a possibilidade de ele "não corresponder a um único grupo evolutivo bem delimitado".

Considerando que vários dinossauros do Cretáceo Inicial da Península Ibérica parecem representar uma linhagem distinta, os investigadores admitem que "a espécie mais conhecida, Iguanodon bernissartensis, possa não ter vivido no sul da Europa, como se pensava".

Reconhecem ainda uma linhagem de iguanodontianos até agora subestimada, a Ouranosauria, que inclui dinossauros como Ouranosaurus, de África, e Brighstoneus, da Europa.

Os iguanodontianos, identificados pela primeira vez no século XIX a partir de dentes fragmentados pelos investigadores britânicos Mary e Gideon Mantell, "pertencem a um grande grupo de dinossauros herbívoros da linhagem Ornithischia" e "desempenharam um papel fundamental na história da Paleontologia e na forma como os cientistas passaram a imaginar a vida pré-histórica", refere o comunicado.

"Para uma linhagem que ajudou a definir o próprio conceito de dinossauros, os iguanodontianos continuam a ensinar-nos novas lições, não apenas sobre a sua evolução, mas também sobre a forma como a vida na Terra se adapta, diversifica e persiste ao longo de milhões de anos", declara Filippo Rotatori.

Este investigador liderou o trabalho, em parceria com Alfio Alessandro Chiarenza, da University College London, no Reino Unido, Federico Fanti, da Universidade de Bolonha, em Itália, e com Miguel Moreno-Azanza, da Universidade de Saragoça, em Espanha.

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