População recorda invernos rigorosos do passado, mas diz que as alterações climáticas vão aumentar a frequência e intensidade destes fenómenos.
No centro da cidade de Pombal, o café Nicola serve de ponto de encontro para se seguir com atenção, através das notícias que chegam pela televisão, o impacto que o mau tempo continua a ter em toda a região e que os populares veem como "o novo normal",
"Tenho 67 anos e nunca vi nada assim, não me lembro de um inverno com tanta chuva e vento. Penso que os invernos vão começar a ser assim, com chuva, vento, tempestades e cheias: é o novo normal", afirmou Carlos Duarte.
Natural de Pombal, recorda que, quando era garoto, passou por invernos muito rigorosos, "eram quatro meses de frio e chuva", mas é preciso recuar até ao ano de 1977 para encontrar um inverno mais severo, "com muita chuva, muito vento e muitos danos e prejuízos".
"Mesmo assim, apesar de ter sido mau, não tem comparação com o que se passou este ano em todo o nosso concelho, em toda esta região. O que tivemos este ano foi deveras assustador", lamentou.
Apesar de "só ter ficado um dia e pouco sem luz", ainda há algumas povoações do concelho que continuam sem fornecimento de energia elétrica.
"Nem sei como fazem, não pensei que isto, nos dias de hoje, voltasse a ser possível".
Com os olhos a desviarem-se constantemente para a televisão, para acompanhar a possibilidade de cheia na Baixa de Coimbra, Carlos Duarte foi partilhando que o que se vive tem dedo humano.
"Isto é tudo por causa das alterações climáticas, Deus não tem nada a ver com isto. O mundo não está podre, o ser humano é que o apodrece", afirmou.
Os estragos são grandes em casas, infraestruturas de vários tipos e "uma verdadeira calamidade para a agricultura".
"Não vai haver arroz no Baixo Mondego, vai faltar tanta coisa. Nesta altura, já tínhamos as primeiras batatas, ervilhas e favas. E agora não há nada", indicou.
Mas "o mal de uns é a sorte de outros", que aproveitam o momento para vender, por exemplo, geradores, que "há uns tempos quase não tinham saída".
"Até os minimercados aproveitam, fartam-se de vender garrafões de água para as pessoas se lavarem. Há muitas casas que continuam sem água", referiu.
Duas mesas ao lado, José Canelas, de 63 anos, também garante não ter memória de um inverno assim.
"Nem aqui, onde vivo há três anos, nem em Viseu, onde vivi algum tempo, nem em Alvaiázere, onde vivi quase a minha vida toda. Que me lembre, nem em lado nenhum no país todo", destacou.
Cerca de 50 anos depois de ter visto televisão pela primeira vez, devia ter uns dez anos quando os pais juntaram dinheiro para comprar o primeiro aparelho, não se imaginava a ficar sem energia elétrica para poder ligar a sua companhia de todos os dias.
"Foram três dias sem luz, até ter um gerador e felizmente só houve uns pequenos estragos no telhado da casa onde moro. Pareceu-me voltar ao antigamente, em que nos aquecíamos com a lareira e éramos iluminados por uma candeia", informou.
Os últimos dias foram diferentes, mas garante não ter medo de nada, porque "o homem tem uma grande capacidade de se adaptar aos novos desafios".
"Na minha vida já passei por muito, estive 30 dias em coma, sofri alguns AVC [Acidente Vascular Cerebral] e fiquei com algumas sequelas, mas tive de me adaptar: deixei de ser mecânico e passei a ser empresário no ramo do azeite. Também nos vamos ter de adaptar a esta nova realidade do mau tempo", sustentou.
Assíduo no café Nicola, é aqui que todos os dias tenta a sua sorte ao comprar algumas raspadinhas.
"Às vezes lá calha, outras vezes não... Mas, sorte mesmo, era que isto acalmasse", concluiu.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.