A rutura de stock na Aldeia Olímpica de Milão-Cortina voltou a lançar luz sobre a fama antiga dos Jogos.
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A Aldeia Olímpica voltou a fazer jus à sua reputação. Uma semana depois do arranque dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milão-Cortina, os 10 mil preservativos distribuídos gratuitamente aos atletas já… desapareceram. A organização promete reforçar o stock, mas ainda sem data marcada.
A escassez apanhou muitos de surpresa, sobretudo porque a competição ainda está longe do fim, marcado para 22 de fevereiro. A causa da rutura de stock parece estar mais relacionada com a quantidade inicial, considerada insuficiente, do que propriamente com a atividade sexual dos atletas. Basta comparar: em Jogos Olímpicos de Verão de Paris 2024 foram distribuídos mais de 200 mil preservativos, e no Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016 o total chegou aos 450 mil, cerca de 42 por atleta.
Mesmo em edições recentes, os números foram bem mais generosos. Nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang 2018 houve 110 mil unidades e nos de Tóquio 2021 (realizados à porta fechada por causa da pandemia) foram distribuídos 160 mil. Em Milão-Cortina, com cerca de 3 000 atletas, o rácio mal ultrapassa os três preservativos por pessoa.
Ainda assim, o episódio reacende uma velha discussão: a Aldeia Olímpica é famosa não só pelo desporto de alto nível, mas também pela intensa vida social e íntima que se vive fora das pistas e dos estádios.
A própria ESPN já reuniu, ao longo dos anos, vários testemunhos de atletas sobre os bastidores dos JO. Um dos mais citados remonta aos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver 2010, quando um esquiador descreveu o que começou por ser uma festa num jacuzi e acabou por se tornar uma "orgia no jacuzi", com atletas de várias nacionalidades.
A antiga saltadora em comprimento alemã Susen Tiedtke nunca escondeu que o ambiente olímpico é propício a excessos: atletas no auge da forma física, anos de pressão acumulada e, depois das provas, festas, álcool e pouca vontade de ir cedo para a cama. "Os atletas estão no seu auge físico nos Jogos Olímpicos. Quando a competição termina, querem libertar a sua energia. Às vezes era difícil dormir por causa do barulho nos outros quartos", contou em diversas entrevistas ao longo dos anos. A atleta considera a regra de abstinência sexual "uma grande anedota", afirmando que "não funciona de todo". A própria acabou por conhecer o seu ex-marido, Joe Greene, nos Jogos Olímpicos de Barcelona 1992, tendo casado no ano seguinte.
Oficialmente, o Comité Olímpico Internacional não incentiva este lado mais hedonista — basta lembrar as famosas camas de cartão introduzidas para 'desencorajar' encontros. Mas a distribuição de preservativos é tradição desde os Jogos Olímpicos de Seul 1988, como medida básica de prevenção.
Nem todos alinham: a ex-guarda-redes norte-americana Hope Solo já descreveu a Aldeia Olímpica como uma "enorme distração" para quem não tem "disciplina". Outros foram bem mais francos. O lançador do dardo Breaux Greer admitiu que nos Jogos Olímpicos de Sydney 2000 se envolveu com várias atletas por dia, enquanto a esquiadora Carrie Sheinberg descreveu o local como "um lugar mágico, de conto de fadas, onde tudo é possível". "Podes ganhar uma medalha de ouro e podes dormir com um tipo muito giro", disse Sheinberg à ESPN. "Talvez por sentirem que nunca mais se vão ver. Também se trata de encontrar algo novo. Os atletas olímpicos são aventureiros. Procuram um desafio, como ter sexo com alguém que não fala a sua língua."
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