"Muitas vezes as pessoas desconhecem as áreas marinhas protegidas, porque não as veem", disse Gonçalo Silva.
Os portugueses conhecem pouco as áreas marinhas protegidas, principal motivo para a criação do "Museu da Extinção Marinha", para mostrar espécies e alertar para a sua proteção.
O museu, virtual, "que não devia existir", já teve sete mil visitantes e quer precisamente evitar que, no futuro, as espécies marinhas possam ser vistas apenas em museus, explicou à Lusa Gonçalo Silva, que lidera o projeto.
"Muitas vezes as pessoas desconhecem as áreas marinhas protegidas, porque não as veem", disse o responsável, num balanço de dois meses de atividade do museu, lembrando que as áreas marinhas protegidas são regiões delimitadas nas quais as atividades humanas são reguladas.
Portugal tem mais de 70 áreas marinhas protegidas, que cobrem cerca de 07% do mar português, segundo o ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, que quer chegar a 2030 com 30% de áreas protegidas. Gonçalo Silva considera que a percentagem ainda é baixa em relação ao que se devia proteger, até porque há áreas marinhas protegidas que o são "só no papel", porque é difícil monitorizá-las com assiduidade.
O museu virtual, uma criação do arquiteto Ricardo Bak Gordon, desenvolve informação de seis dessas áreas, seja na Madeira (área marinha do Garajau), onde "habita" o mero, uma espécie classificada como vulnerável, ou nos Açores, no parque natural da ilha do Faial, com a tartaruga comum em "acentuada redução" e considerada espécie em perigo.
Quem "entra" no museu pode também passar pelas Berlengas, conhecer o peixe-lua, classificado como vulnerável, ou o airo, uma ave símbolo da reserva. E pode ainda aceder ao parque marinho do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e aos seus sargos, polvos e lontras, ao parque da Arrábida e aos cavalos-marinhos, aos golfinhos e às pradarias marinhas, ou ao parque do Litoral Norte, as suas algas e aves.
O museu faz parte de um projeto científico maior chamado BiodivAMP, que desenvolve ferramentas para a monitorização e proteção de biodiversidade em áreas marinhas protegidas ao longo da costa portuguesa, com financiamento do Ministério do Mar e parceiros como instituições de ensino, associações ou autarquias, entre outros.
"No BiodivAMP este projeto surge na área da proteção dos oceanos. Sentimos que faziam falta ferramentas que ajudassem na gestão e monitorização das áreas marinhas protegidas, mas queríamos chegar ao público", explicou Gonçalo Silva.
O responsável, investigador no ISPA - Instituto Universitário/ MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, diz que em termos da quantidade de áreas marinhas protegidas Portugal está "em linha com os outros países europeus", fala do "empenho" do Governo em aumentar a percentagem, mas acrescenta: "Entre a vontade e a execução vai muito tempo e dinheiro, e o oceano precisa disto tudo a uma velocidade muito maior".
Mas na proteção dos oceanos, diz, os cidadãos podem ter um papel já, nomeadamente enquanto consumidores, optando por não comer, por exemplo, carne de tubarão ou de raia, espécies com um crescimento lento pelo que não são "uma escolha sustentável".
E o outro papel, sobre o qual começou por falar, que é o de conhecer o que há "debaixo de água", saber que nas costas portuguesas há e sempre houve tubarões, que "não causam problemas, mas que são essenciais para a saúde dos oceanos".
"No museu apresentamos espécies mais emblemáticas de cada local. Queremos mostrar às pessoas que se continuam as mesmas práticas as espécies vão mesmo parar a um lugar como esse. O esturjão europeu existia em Portugal e extinguiu-se", alertou na entrevista à Lusa.
E para começar, acrescentou, é preciso por exemplo diminuir os efluentes das grandes cidades, ou evitar a destruição de habitats, quer seja junto à costa quer seja no fundo do mar, devido à pesca de arrasto.
O "Museu da Extinção Marinha" pode ser acedido por telemóvel e está disponível desde agosto. Em dois meses de existência foi visitado por cerca de sete mil pessoas, segundo um balanço este sábado feito à Lusa.
Gonçalo Silva disse na altura da inauguração que é preciso resolver o problema da degradação dos oceanos e declínio da biodiversidade. "Como só conseguimos proteger o que conhecemos, é da maior importância que as pessoas saibam e valorizem o que têm ´no seu quintal´".
E o arquiteto Bak Gordon reforçou também na altura a importância de qualquer contributo para travar a degenerescência do planeta.
Além desta campanha nacional e do portal, o projeto BiodivAMP está a preparar um Manual de Boas Práticas para a monitorização, gestão e governança de áreas marinhas protegidas na costa portuguesa.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.