Administrador da RTP e Daniel Deusdado criaram uma empresa em comum em 2003.
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A ligação de Nuno Artur Silva às Produções Fictícias (PF) e ao Canal Q (empresas que prometeu vender quando chegou à RTP, o que nunca concretizou) e de Daniel Deusdado à Farol de Ideias (cuja propriedade passou para a mulher quando entrou na empresa pública) tem vindo a causar polémica e a merecer críticas da Comissão de Trabalhadores da empresa pública. Mas há uma outra empresa que liga os dois responsáveis do grupo RTP: O Estado do Sítio, criada a 1 de setembro de 2003 por Nuno Artur Silva e Daniel Deusdado.
Doze anos depois, a 13 de março de 2015, quando Deusdado foi anunciado como diretor de programas da RTP, uma escolha da administração onde Artur Silva tem o pelouro dos conteúdos, os dois ainda eram sócios na O Estado do Sítio. Deusdado com uma quota de 40%, detidos pela Farol de Ideias, e Artur Silva com 60% (5% em nome próprio e 55% via PF). Dias antes, a 6 de março, Daniel Deusdado renunciou ao cargo de gestor nessa empresa. Cerca de uma semana depois, a sua mulher assumiu esse lugar. Já Nuno Artur Silva abandonou a gerência em 2014, antes de entrar na RTP.
Questionado pelo CM se deu conhecimento à RTP e à ERC desta sociedade antes de assumir o cargo de diretor de programas, Daniel Deusdado esclarece que deu "informação total de tudo" o que lhe pediram. "Saí da gestão dos negócios antes mesmo de ser anunciado publicamente o meu nome", sublinha.
O diretor de programas adianta ainda que a empresa O Estado de Sitio fez três programas para a RTP: "Em 2006 um magazine de informação juvenil, ‘Kulto’, para a RTP2; em 2008 oito programas sobre Fernão de Magalhães, para a RTP2; e em 2011 o magazine ‘Humor e a Cidade’, na RTPN."
Daniel Deusdado refere também que não tem mais nenhum negócio em comum com Nuno Artur Silva, "nem direta nem indiretamente". Contactado, o administrador da RTP, mesmo antes de ouvir as perguntas do CM, fez questão de afirmar: "Não faço declarações."
Refira-se que Nuno Artur Silva, responsável pelo pelouro dos conteúdos da RTP, e Daniel Deusdado, diretor de programas, têm que gerir, este ano, um orçamento de grelha de 104 milhões de euros.
Estado financia mas não define presidente
Apesar de o Estado, através dos contribuintes, ser o maior financiador da empresa, é ao Conselho Geral Independente (CGI) que cabe escolher quem será o presidente da empresa pública, que, por sua vez, define a sua equipa. E o Governo apenas pode vetar o nome escolhido para o pelouro financeiro, não tendo palavra na área dos conteúdos. A escolha do novo conselho de administração da RTP está para breve, mas para isso acontecer primeiro os novos membros do CGI terão de ser oficialmente empossados.
Caras das PF e do Canal Q ganharam espaço na RTP
Joana Marques e Daniel Leitão foram duas das caras ligadas às empresas de Nuno Artur Silva que tiveram espaço na RTP. O casal juntou-se a uma longa equipa de apresentadores e argumentistas que trabalhavam ou ainda trabalham no Canal Q e que começaram ou reforçaram a sua colaboração com a televisão pública após a entrada de Nuno Artur Silva para a administração da RTP. Pedro Vieira e Inês Lopes Gonçalves, rostos do programa ‘Inferno’, do Canal Q, apresentaram ‘O Último Apaga a Luz’, na RTP 3, e ‘Traz prá Frente’, na RTP Memória. Já os guionistas Maria João Cruz, Susana Romana e Guilherme Fonseca escreveram programas como ‘Nelo e Idália’ e ‘Donos Disto Tudo’.
PORMENORES
Séries das PF na RTP
As séries de ficção ‘País Irmão’ e ‘Excursões Air Lino’ (anteriormente ‘Tudo Incluído’), em exibição na RTP 1, já estiveram sob a alçada das PF, sendo que Nuno Artur Silva está proibido de celebrar negócios entre a sua produtora e o grupo público. As PF apresentaram estes projetos a concurso para financiamento do Instituto do Cinema e Audiovisual em 2014. No entanto, e apesar de admitidos, não avançaram para produção. Dois anos depois foram parar à RTP através de outras produtoras: Stopline e Até ao Fim do Mundo.
Negócios de milhões
De 2008 a 2014, antes da entrada de Nuno Artur Silva na RTP, as Produções Fictícias receberam 11,7 milhões de euros da RTP pela venda de vários conteúdos, como os talk shows de Herman José nas noites de sábado e séries de humor como ‘Estado de Graça’ e ‘Contemporâneos’.
Uma sede partilhada
Em dezembro de 2012, as Produções Fictícias mudaram a sua sede do nº 27 da travessa da Fábrica dos Pentes, em Lisboa, para a urbanização Praia Verde, em Castro Marim, no Algarve. Dois meses depois, passaram para o Parque Industrial de Vendas Novas, no Alentejo. Em abril de 2015, regressaram à travessa da Fábrica dos Pentes, mas desta vez para o nº 12, precisamente a sede da O Estado do Sítio.
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