Carlos Rodrigues
DiretorO progressivo falhanço do Estado nas matérias mais sensíveis da sociedade é um fator que a todos nos deve preocupar. A morte de um cidadão português depois de esperar três horas por uma ambulância do INEM é uma tragédia indesculpável. Devo sublinhar que o problema ocorreu no Seixal, margem sul do Tejo, bem no centro da Área Metropolitana de Lisboa. Não foi numa aldeia recôndita, nem numa cidade do Interior, e digo-o, não porque fosse menos grave, mas porque esta localização reforça a ideia de cerco. Estamos cercados pela incompetência do Estado, e pela incapacidade de garantir os serviços essenciais. Tudo se passa como se nada houvesse a fazer, quando, na verdade, distribuir ambulâncias de forma a acorrer aos cidadãos acidentados não se trata, de todo, de uma ciência oculta, nem sequer de um desafio logístico particularmente difícil. Infelizmente, tenho de sublinhar que este é um problema político, e o critério aplicado pelos responsáveis deste Governo fará com que as falhas sejam cada vez mais graves. A falta de responsabilização dos culpados, a tendência para desculpabilizar responsáveis, a impunidade permanente dos ministros, tudo isto alargará cada vez mais as fronteiras do que é admissível. O Estado está a deslassar as suas responsabilidades sociais. Isso é muito grave porque aumentará a descrença em relação às instituições. Cabe ao primeiro-ministro dizer basta. Ou ‘deixar andar’ será a principal ideia para a reforma do Estado?
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Por Carlos Rodrigues
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