Paulo de Morais
Professor universitárioA docência, mais que profissão, é uma missão. Em Portugal, missão impossível. Um docente do ensino básico ou secundário não dispõe de condições mínimas de trabalho. Não tem um gabinete para preparar aulas ou receber alunos. O professor gasta uma parte significativa do seu tempo a elaborar memorandos e relatórios, atolado em burocracias. Cumpre ordens sem sentido, está proletarizado. Nem sequer avalia livremente os seus alunos, pois há uma obsessão tal pelos níveis de sucesso, que as notas negativas são, na prática, travadas. Mesmo os mais capazes têm dificuldade em cativar alunos desmotivados, irrequietos, que nem sequer praticam qualquer desporto que os serene. Acresce que os docentes são mal pagos, impedidos pelo Governo de progredir na carreira. Não têm defesa adequada, pois os sindicalistas que os representam enquistaram num discurso reivindicativo obsoleto e arruaceiro. Neste contexto, o magistério da docência é um martírio, a aprendizagem um milagre.
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