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António Sousa Homem

António Sousa Homem

A segunda volta em Moledo

15 de fevereiro de 2026 às 00:30

Contra todos os conselhos da família (incluindo os do velho Doutor Homem, meu pai, que invocou Camilo Castelo Branco e creio que o direito visigótico), o Tio Pedro Afonso aceitou o encargo de ser subsecretário de um governo do dr. Salazar. Depois de dois ou três anos a penar no Purgatório, recolheu a Monção para um período de repouso e depois a Coimbra para continuar a sua vida, tendo então alguém sugerido que ele devia aceitar outro convite: o de entrar nas listas da Assembleia Nacional, uma instituição cuja existência era ignorada pela maioria dos portugueses. Foi nessa altura, como em tempos contei aos meus benevolentes leitores, que a Tia Benedita, a matriarca miguelista dos Homem, descobriu – estarrecida – que os deputados não só não eram submetidos a um exame de gramática, como também eram eleitos por voto mais ou menos universal. Isto deixou-a confundida acerca dos misteriosos caminhos da Humanidade, e nessa altura não havia televisão como hoje. Limitou-se a encolher os ombros, conformada. Dona Elaine, a insuspeita governanta deste eremitério de Moledo, teve uma reacção semelhante quando percebeu que um certo deputado da República roubava malas no aeroporto, o que a levou a questionar o direito ao voto e a natureza da democracia, mas – cautelosa e esperta – limitando-se a perguntar se deixavam que todas as pessoas votassem.

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