Um dos princípios seguidos pelo velho Doutor Homem, meu pai, era o de esperar pouco da vida e, portanto, de não aborrecer muito o seu próximo. Talvez por isso cansavam-no bastante os virtuosos, os que tinham vários remédios para a pátria e os de pele demasiado pálida, refractários à luz do sol. Quase todos eram admirados pelas tias da família, umas senhoras que gostavam de fornecer exemplos de superioridade moral para amedrontar os homens do clã, conhecidos por serem um bando pouco recomendável que ganhou fama nos restaurantes da Galiza, nos repertórios de valdevinos regionais e na evocação do passado. Mesmo assim, nos almoços do casarão de Ponte de Lima – à cautela – elas conservavam-nos à distância: com o andar da conversa tornavam-se aborrecidos e incapazes de as fazerem corar com um episódio, uma história, um devaneio, uma observação sobre o pudim à abade de Priscos, uma picardia sobre o estado das coisas.
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Achava que os rios eram interessantes consoante a temporada da lampreia ou da truta
Por sermos leais ao passado, não há escolha quando se trata de boa educação.
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