Um ponto para lá do sertão, encostado à Bolívia e ao Paraguai; a terra onde viveu Manoel de Barros, poeta brasileiro que ontem morreu aos 97 anos. Os seus versos são curtos, ecoam os ruídos do Pantanal, os bichos que andam entre os pântanos e o céu, sem medo da natureza ou do calor da planície, sem poiso certo. ‘Compêndio para Uso dos Pássaros’, um dos seus livros (de 1960) foi um relâmpago que iluminou a Língua Portuguesa como ela era para lá do Equador; pouco se notou a diferença aqui, mas Manoel de Barros nunca mais deixou de ser uma referência – poeta isolado, não um poeta da natureza mas da minúcia e da brevidade, de uma simplicidade retirada da superfície da terra. Várias vezes apontado para Prémio Camões, infelizmente não o obteve. Mas os seus leitores são fiéis até ao absurdo. Manoel também.
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Citação do dia
"As taxas têm tanto a ver com os turistas como eu com a rainha de Inglaterra. Não há é pilim"
Filipe Nunes Vicente, no blogue Nada o Dispõe à Acção
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Sugestão do dia
Livros sobre livros e repositórios de curiosidades são uma das minhas perdições. Vi que acaba de sair ‘A Vida Secreta dos Livros’, de Santiago Posteguillo (Clube do Autor), coleção de histórias sobre clássicos da literatura.
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