Quem não gostaria de contar com esse argumento?
Imagine-se: uma saga familiar cheia de dinheiro, favores aos governos, casamentos de conveniência, desvios colossais (estes sim) de fundos, honras perdidas e até ligações perigosas à Alemanha no tempo da guerra (as famílias têm de tudo).
O caso BES lembra ‘House of Cards’ mas sem um personagem à altura de Kevin Spacey para lidar com pessoas que se desmentem em público e se acusam de mentirosos compulsivos, revelando indignidades, deslizes, ambições e mau caráter. Para completar o quadro, há quem confunda aviões com caravelas ou mexilhões com amêijoas – e os catastrofistas do costume, que previam massacres que nunca aconteceram.
É uma época notável, a precisar de um cronista, mais do que de um historiador.
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Citação do dia
"Talvez o principal mérito das audições tenha sido a revelação da natureza dessa ‘aristocracia’"
Luciano Amaral, ontem, no CM
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Livros do ano (7)
Em tempos de esquizofrenia (que dura há já uns anos), nada como ler ‘Propagandas’ (Antígona), o estimulante livro de Jacques Ellul, traduzido por Miguel Serras Pereira, um combate contra a manipulação.
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