Para não ter de suportar as ‘artes divinatórias’ da maior parte dos comentadores políticos, que conseguiram a proeza de ultrapassar os comentadores desportivos em má-fé (passaram quatro anos a anunciar catástrofes e passarão mais uns meses a cortar os pulsos), deixei de ver televisão.
E passei a ler coisas inesperadas, como a magnífica autobiografia de Oliver Sacks, neurologista que morreu este ano e de que tinha lido ‘O Homem que Confundiu a Mulher com o Chapéu’ e ‘Despertares’ (que valeu um filme com De Niro e Robin Williams). É um testemunho apaixonante e apaixonado. ‘Em Movimento’ (Relógio d’Água) conta a vida de um estudante judeu inglês que se transforma numa referência de humanidade e de tolerância; foi também mergulhador, viajante, halterofilista, motociclista, grande leitor de poesia (viveu com o poeta Thom Gunn), antropólogo dedicado. Talvez seja um livro indicado para os adolescentes se encantarem, de vez em quando, com os mistérios e os rigores da vida – e os seus inesperados.
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