Caro Senhor Presidente da República: nunca lhe contei esta história, mas agora, que vai a Moçambique, é conveniente que a conheça. Foi em 1995 que vi pela primeira vez a ilha de Moçambique – uma tarde gloriosa, com o mar azul de cartolina desenhado sobre as salinas do canal ou os ilhéus no lado do mar aberto. Sabia quase tudo sobre a ilha, mas não conhecia o xeique Abdurrazaque Assane Jamú, com quem passei excelentes manhãs de conversa no Café Âncora d’Ouro (onde Rui Knopfli escrevera tantos versos de ‘A Ilha de Próspero’ ou Jorge de Sena, num bloquinho da Olympic Airways, escreveu o seu poema sobre Camões na ilha de Moçambique, perto do lugar onde nasceu Alberto de Lacerda). Depois da guerra civil, a ilha ficara devastada e o xeique levava-me, no fim das orações, a visitar o que sobrara – memórias e ruínas à espera de reconstrução. À despedida pediu-me: "Dê um abraço ao professor Baltazar Rebelo de Sousa." Voltei e não dei o recado. Também voltei à ilha várias vezes. O xeique Abdurrazaque, entretanto, morreu. Mas talvez o senhor lhe queira deixar uma lembrança.
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Citação do dia
Luciano amaral ontem, no CM
Sugestão do dia
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