A Páscoa judaica, ‘Pessach’, "passagem", que este ano coincide com a cristã, celebrava-se cerca de mil anos antes de Cristo, assinalando a libertação dos escravos no Egito. Jesus celebrou essa Páscoa e transformou-se no intérprete de outra - a que trata da sua vida, morte e ressurreição. O mistério destas tradições permanece e lembra-nos que somos peregrinos. Estamos de passagem. Falar disto é uma espécie de despropósito num mundo que reduz a Páscoa a confeitaria, chocolate e Algarve, mas acredito que vale a pena insistir. Todos os anos há uma celebração importante a registar - nem sempre em nome dos escravos que se libertam e atravessam o deserto, ou em nome de quem se liberta da lei da morte através de uma mensagem inovadora e tão cheia de ironia como de promessa. O Ocidente tornou-se laico, primeiro, mas cínico e ateu depois - e ao libertar-se da religião, a sociedade "libertou-se" também da memória. Ficou mais pobre. E, no entanto, alguém continua a celebrar todos os anos. Boa Páscoa.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Todos estão insatisfeitos, preocupados, escandalizados ou em torpor profundo.
Na literatura, por exemplo, é muito raro encontrar novos autores que não estejam marcados pelo ferrete da vitimização e da queixinha.
Retratista único, Goya é um dos génios de Espanha e da Europa.
Trump, afinal, pode ser contrariado. O seu poder tem limites.
A democracia não se defende só com o apelo a tradições e liturgias de há 40 anos.
Basta olhar outros episódios do Médio Oriente para reconhecer a sua repetição.
O Correio da Manhã para quem quer MAIS
Sem
Limites
Sem
POP-UPS
Ofertas e
Descontos