Uma das coisas que mais me fascina na biografia de Abelardo (1079-1142) era a sua capacidade de discutir, de perder a razão, de a recuperar e de pensar que valia a pena. Pelo meio, a aventura amorosa com Heloísa, sobrinha de um cónego que o albergava, e que resultou na condenação à castração (dessa relação nasceu um filho de ambos, a que deram o nome de Astrolábio): entraram ambos em conventos, mas Abelardo não se calou. Estávamos no século XII. Abelardo foi condenado em dois concílios - não havia esta moleza obediente ao papa, discutia-se nas universidades, escrevia-se em nome de ideias opostas (o seu livro mais famoso é ‘Sim e Não’. Em Inglaterra, mil anos depois, as associações de estudantes exigem ser informadas sobre os temas das conferências com duas semanas de antecedência, ou de quatro se o tema for "controverso", com medo de matérias maléficas, desagradáveis ou que possam "agredi-los". Os nossos antepassados, que criaram a Europa e discutiram com intensidade e paixão, devem estar a rir.
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