Barcelona deixou de me comover há muito tempo – foi a "cidade europeia" que primeiro conheci e que, de outras vezes, percorri de li- vros na sacola para identificar os lugares dos romances de Vázquez Montalbán ou de Mercè Rodoreda, Eduardo Mendoza ou até Carlos Ruiz Zafón. Há um livro maravilhoso de Jorge Carrión sobre a sua cidade, ‘Libro de los Pasajes’, título pedido de em- préstimo a Walter Benjamin. Esta semana, manifestantes atacaram pacatos turistas que bebiam cerveja ou almoçavam com a família – sob o compreensível pretexto de "já não terem cidade" e de haver turistas a mais. Como folclore político (uma espécie de "xenofobia do bem", muito hipócrita), a coisa procede. Ora, Barcelona, como Roma, ou Paris, ou Lisboa (à nossa pequena dimensão de província), são parte da nossa memória europeia – e destinos turísticos. O turismo representa 15% do PIB espanhol (11% de Portugal) e alimenta o conforto de muitos dos manifestantes xenófobos de Barcelona. Metade da velha Europa é um destino turístico. Ai de nós.
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