À medida que as pessoas da minha geração se despedem (nós não tivemos oportunidade de o fazer), cresce uma finíssima angústia entre mim e as despedidas. A Adília Lopes (1960-2024) criou a sua própria família literária; eu tinha por ela uma admiração invejosa, por escrever o que escreveu, que me comovia e divertia – e que era muito bom. Quem a lia e admirava, seguia-a apaixonadamente; não conseguia deixar de lê-la. Por exemplo, no Brasil, onde estão as melhores escritoras da nossa língua (Cecília Meireles, Clarice Lispector, Hilda Hilst, Adélia Prado), Adília era um fenómeno de popularidade; na verdade, ela inventou uma língua dentro da nossa língua, espontânea e sem medo, procurando uma espécie de clarividência chocante e cheia de alarmes, conhecendo as palavras todas mas usando apenas as necessárias. Isso fazia-a mais próxima daquele português cheio de mar e ironia, rindo alegremente, com uma poesia menos solene e insincera, mais coloquial. Partimos todos, mas nunca imaginámos que a Adília fizesse parte desse número.
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