Passaram ontem 100 anos sobre o nascimento de Carlos Paredes (1925-2004), que teve uma belíssima capa na ‘Domingo’. As primeiras gravações têm a minha idade e continuo a pensar que não é possível ficar imune a esses dois discos deslumbrantes, ‘Guitarra Portuguesa’ (1967) e ‘Movimento Perpétuo’ (1971). Como uma paisagem, a música de Paredes convoca to- dos os sentidos, mas não sei explicá-la e, por isso, relembro duas passagens do diário de Vergílio Ferreira: “Cansado de trabalhar, ponho no gira-discos um disco de Carlos Paredes. E uma a´spera melancolia dilacera-me na~o sei onde.” Ou: “Ouc¸o o Carlos Paredes - se e´ li´cito falar em ge´nio a propo´sito de um guitarrista, Paredes é-o sem du´vida. Ouc¸o-o desmultiplicar-se nu- ma vibrac¸a~o a´spera e delicada. Uma tensa~o reprime-se em mim, explode e fica a vi- brar.” É um dos poucos músicos portugueses que me comove com tanta intensidade - talvez a sua humildade seja o motivo. Era um génio da música e um homem belíssimo e elegante.
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