Passei parte das manhãs daquele mês de dezembro sentado a uma das mesas do café Âncora d’Ouro, ao lado das arcadas. Trinta anos depois vejo as velhas fotografias e recordo os meus companheiros de mesa, Abassane (que me levara de Nampula para a Ilha de Moçambique), Hassane e o xeque Hadjee Abdurrazaque Assan Jamú, da Mesquita Grande, tão extrovertido como já era nos anos 70, ainda no tempo colonial, quando navegava nas águas do regime. A Ilha de hoje não tem a ver com aquele retrato dos anos de depois da guerra civil que, de 1977 a 1994, deixou o país devastado – e certamente que o paraíso dos poemas de Rui Knopfli naquele livro decisivo, ‘A Ilha de Próspero’, de 1972, não era já o de 1995, mas estava lá o retrato do que fora aquele território de três quilómetros de comprido por trezentos metros de largo: "Retomo devagarinho as tuas ruas vagarosas,/ caminhos sempre abertos para o mar,/ brancos e amarelos filigranados/ de tempo e sal, uma lentura/ brâmane (ou muçulmana?) durando no ar,/ no sangue, ou no modo oblíquo como o sol/ tomba sobre as coisas ferindo-as de mansinho/ com a luz da eternidade."
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