Conheço um australiano que, depois de ver Lisboa, apanhou um autocarro e foi lanchar a Miranda do Douro porque lhe parecia perto. Vem isto a propósito das sete medidas do primeiro-ministro. Não vou falar sobre a guinada à direita da social-democracia, a pensar nos votos do Chega, que elevou à categoria de medida estratégica acabar com a disciplina de Cidadania, tal como ela é, quando faltam professores nas escolas ou a criação de umas superbrigadas, quando simplesmente o que faz falta é um SEF como deve ser. Mas não vou falar das sete medidas. Não há espaço. Conto apenas que o amigo australiano, no dia a seguir, voltou a Lisboa e queixou-se de que não tinha visto vivalma na ‘estação’ de Miranda do Douro. Expliquei-lhe que era por ser seis da manhã e de um domingo. Surpreendido, ainda assim, elogiou o motorista e explicou-me que veio nos braços de Morfeu durante as quase seis horas de caminho. Está prestes a iniciar-se um ciclo de megaobras na zona metropolitana de Lisboa para fazer uma ‘Megalópolis’ à portuguesa, para proveito de poucos, mas com muitas ‘Tribecas’ e ‘hubs’. Um país desenvolvido não tem só duas cidades estratégicas e o resto, paisagem.
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