O Presidente fez bem em ir a França para assinalar o Dia de Portugal. Gastamos uma boa dose de energia e de palavras sem sentido a falar sobre ‘a diáspora’ ou ‘o papel dos emigrantes’ e acabamos sempre por usá-los como instrumentos para arrecadar poupanças ou pedir-lhes contribuições.
Os emigrantes em França – como na Venezuela, na Alemanha, na Suíça, na África do Sul, no Canadá ou no Brasil – merecem que o Presidente lhes diga como foram sempre importantes e como merecem a sua presença. Não falo por falar. Boa parte dos ‘portugueses lá de fora’ realizam vidas excecionais, são exemplos, têm histórias apaixonantes.
A literatura portuguesa, por exemplo, é de uma enorme indiferença e sobranceria em relação a eles, portugueses de outras terras. Nenhum romance de fôlego, nenhum filme sério, comovente. Esses emigrantes já não vivem no ‘bidonville’ de Paris e, felizmente, já não caem na cantiga da ‘remessas para a terrinha’. Têm uma memória que é importante recolher.
Eu tenho uma grande admiração por essa gente que, dos EUA à Austrália, construiu vidas notáveis.
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