O Orçamento passa? Creio que sim. Embora, como aqui solitariamente se escreveu na passada semana, uma crise política com eleições antecipadas não seja assim tão descabida. As esquerdas podem não estar em grande forma – o PCP e o Bloco bem sovados nas autárquicas, o PS longe da maioria absoluta. Mas a pergunta que interessa não é saber como as esquerdas estão agora. É saber como estarão daqui a dois anos. A existência de uma crise depende da resposta a esta pergunta.
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Em Portugal, nada é mais difícil do que o humor. A realidade vem sempre coberta por uma mortalha absurda que derrota qualquer concorrência.
Foi preciso muito detergente, nas revisões posteriores, para limpar estas manchas.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Basta uma temporada longe do poder para que a desafinação se instale.
Pedro Passos Coelho quer reformas – e empurra o governo para os braços do Chega.
O PS já percebeu que pode esticar a corda sem risco e ameaça ‘rupturas’ dramáticas se não lhe reservarem um lugar no Tribunal Constitucional.
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