Estou no café quando sai a notícia: morreu o homem mais rico de Portugal. Ao meu lado, um matarruano comenta com o dono:‘Tanto dinheiro e não lhe valeu de nada.’ Riem ambos.
A frase é despropositada e, além disso, reveladora da nossa relação com os ricos (os que sobram). Em países menos pelintras, alguém que fez fortuna, criou riqueza e gerou empregos seria admirado e emulado.
Em Portugal, o maltrapilho chafurda no ressentimento – e até se consola com o infortúnio dos abonados.
A coisa não teria grandes consequências: ficaria limitada às conversas de café. Fatalmente, tem consequências: só uma cultura de desprezo pelo mercado aberto e pela iniciativa privada levaria um primeiro-ministro a usar o Parlamento para enxovalhar uma empresa (a PT/Altice) e a aconselhar o país a boicotá-la.
Sim, Sócrates fazia negócios com a Venezuela. Costa, pelos vistos, prefere imitá-la.
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Em Portugal, nada é mais difícil do que o humor. A realidade vem sempre coberta por uma mortalha absurda que derrota qualquer concorrência.
Foi preciso muito detergente, nas revisões posteriores, para limpar estas manchas.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Basta uma temporada longe do poder para que a desafinação se instale.
Pedro Passos Coelho quer reformas – e empurra o governo para os braços do Chega.
O PS já percebeu que pode esticar a corda sem risco e ameaça ‘rupturas’ dramáticas se não lhe reservarem um lugar no Tribunal Constitucional.