A morte de Fernando Mamede fez-me pensar no meu pai. Era um fã do atleta e ficava acordado até horas impróprias, sofrendo triplamente por causa dele: primeiro, era ver se aparecia à corrida; depois, que não desistia a meio; finalmente, se cortava a meta vencedor. Várias vezes vi o meu pai, incrédulo e furibundo, com a inexplicável fragilidade daquele homem de talento.
Eu, pelo contrário, empatizo com o caso: à sua maneira, Fernando Mamede é o oposto deste tempo ruidoso em que todos os medíocres têm uma confiança ilimitada nos seus nulos préstimos. Chamo a isto ‘disforia de génio’, um mal de que Mamede nunca padeceu.
Aliás, os conhecidos versos de Yeats - ‘Os melhores carecem de convicção, enquanto os piores / estão cheios de intensidade apaixonada’ - parecem ter sido escritos para ele e, por antinomia, sobre nós.
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Fernando Mamede é o oposto deste tempo ruidoso em que todos os medíocres têm uma confiança ilimitada nos seus nulos préstimos.
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