A guerra nas forças de segurança vai muito além daquilo que parece à primeira vista. A PSP faz comunicados para “assinar” casos investigados pela PJ - porque quer deixar claro quem está no controlo da narrativa. Aconteceu em Cascais, com o caso do americano morto, e depois repetiu-se no esfaqueamento a José Manuel Anes. A dinâmica é simples: falam das motivações e até lançam pistas sobre os suspeitos, antes de haver sequer uma detenção. A tentação de querer mostrar que “também fomos nós” e que “poderia ter sido nossa a intervenção que resolveu” é um jogo perigoso e faz com que a linha entre a investigação e a politização do trabalho policial se desfaça. Um gestor pragmático olha para tudo isto e pensa: “Se a PSP resolve mais barato, porquê gastar com a PJ? Quem precisa de uma polícia de elite quando há uma versão mais em conta e que resolve tudo mais barato?”
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O Estado hesita, e nessa hesitação perde-se algo essencial: a ideia de que a lei não é decorativa. Porque a Justiça que tarda não é apenas injusta - é perigosa.
Mariana provou que a justiça não é para todos.
Quem é chamado a gerir o que é de todos deve aceitar sem reservas o escrutínio.
Enquanto o debate público insistir na culpa da vítima e não na responsabilidade coletiva, continuaremos a falhar - às mulheres, às crianças e à própria ideia de justiça.
Quando estão em causa políticos, a prioridade deveria ser sempre a clareza, a confiança e a responsabilização.
Quando uma decisão de inconstitucionalidade acontece, o debate devia a ser outro.