Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoCausou alguma estranheza o facto de durante o julgamento do 'Processo Marquês' terem passado escutas em que o antigo primeiro-ministro contava a Henrique Granadeiro, um dos gestores da então poderosa PT, detalhes sobre a vida sexual de Salazar que lhe tinham sido revelados numa conversa interessante com duas figuras maiores do Partido Socialista, Mário Soares e Almeida Santos. Soares que privou com o jardineiro de Salazar no Palácio de S.Bento, contava uma versão picante da relação entre o ditador e a sua governanta. Por sua vez, Almeida Santos, o príncipe da redação legislativa do atual regime democrático, que sabia redigir leis e colocar as virgulas, exatamente onde queria, duvidava dessa história tão picaresca, até porque conheceu o médico da governanta que lhe garantiu que a D. Maria Jesus era uma mulher casta de Penela, que sempre ficou virgem. Mas o que interessa para o caso é a importância deste episódio para ser abordado no julgamento do 'Marquês'. A transcrição mostra que havia uma proximidade pessoal entre José Sócrates e Henrique Granadeiro, porque dificilmente Sócrates contaria a um desconhecido por telefone uma conversa sobre um tema tão bizantino, como a vida sexual do antigo seminarista de Santa Comba Dão. Como diria o poeta Eduardo Guerra Carneiro, isto anda tudo ligado, tal como os factos em julgamento no 'Marquês'. Sócrates tinha a maioria absoluta, mas o maior dono disto tudo era Ricardo Salgado que tinha o poder e o dinheiro e quando não tinha o dinheiro suficiente usava a PT como banco privativo, com os gestores a dizerem que sim e o governo que tinha poder determinante na PT a aceitar o jogo do banqueiro.
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