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Correio da Manhã

Portugal
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Operário morre a tentar salvar máquina na pedreira em Borba

Estavam mais operários no local. Sobreviventes contam horror.
Rita F. Batista 28 de Novembro de 2018 às 01:30
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Homens contam pormenores do horror vivido na pedreira.
Mais operários estavam na pedreira de Borba quando a Estrada Municipal 255 colapsou e arrastou toneladas de pedra e de terra para cima de Gualdino Pita e de João Xavier que trabalhavam junto a uma máquina giratória.

Ao que o CM apurou, estavam no local pelo menos mais oito operários que fugiram quando as pedras começaram a cair. Dois estavam muito perto dos colegas que perderam a vida e tentaram alertá-los para o perigo. "Fujam, fujam" gritaram os sobreviventes, que ontem foram ouvidos pelas autoridades.

Segundo relataram ao CM, João Xavier – que faria 59 anos do dia seguinte – correu para tentar salvar a máquina, decisão que lhe custou a vida. Um dos operários que ficou ferido descreveu o pesadelo ao CM: "Foi tudo muito rápido. As primeiras pedras eram enormes e caíram na água da pedreira desativada, provocando uma onda gigante que caiu em cima de nós. Atirei-me ao chão com os meus colegas e pensei ‘já fui’. Quando abri os olhos, eles tinham desaparecido."

Os sobreviventes estão agora em recuperação. As mazelas físicas são muito insignificantes quando comparadas com as psicológicas. "São momentos muito difíceis, de luto. Vai ser difícil esquecer a imagem do meu colega que morreu e cujo corpo foi encontrado em posição fetal", descreve, com as lágrimas nos olhos, o outro operário que estava junto à máquina. Passaram nove dias.

A operação de resgate centra-se agora nas três pessoas que iam de carro quando a estrada desabou.

Câmara e Governo alertados para riscos
Ao longos dos anos não faltaram alertas para os riscos. Mas responsabilidade política ainda ninguém assumiu. "Não me vou demitir. Isso é para os fracos", garante o presidente da Câmara de Borba. António Anselmo nega ter tido conhecimento dos riscos, mas a câmara é uma das entidades a quem foi dado conhecimento desses riscos em 2014.

Ontem, fonte do Ministério do Ambiente confirmou isso mesmo ao CM: "A Direção Regional de Economia do Alentejo participou em vários encontros com empresários e com a C.M. de Borba. Foi identificada a situação de risco (...) e referido que o seu colapso colocaria em perigo, quer a segurança dos trabalhadores das pedreiras, quer a circulação (...)na altura, houve troca de informações nos serviços."
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