Com o restabelecimento das comunicações, regressam em força os "contos do vigário" por telefonemas, redes sociais ou falsos funcionários.
A PSP alertou esta sexta-feira para a ocorrência de burlas nas regiões afetadas pelo mau tempo, entre as quais o célebre “conto do vigário”. As vítimas são preferencialmente idosos; mas com as redes sociais da Internet os crimes já atingem todas as faixas etárias.
Nessas regiões, assegura a PSP, continua a ser registada "uma baixa significativa da criminalidade, pelo menos ao nível da que tem sido denunciada, fruto do trabalho persistente e da forte dissuasão policial no terreno". Com muita polícia na rua, diminuíram "significativamente" as tentativas de burlas presenciais que atingiam famílias e empresas.
"No entanto, com o restabelecimento gradual das comunicações, começamos a receber relatos de modalidades de tentativa de burla através de chamadas telefónicas", alerta a PSP. Os burlões fazem-se passar por prestadores de serviços essenciais, como funcionários da água ou da eletricidade, alegando necessidade de medir o caudal ou a qualidade da água; verificar ligações elétricas; ou agendar visitas ao domicílio.
"O objetivo poderá ser, eventualmente, obter dados pessoais e confidenciais, recolher informação de relevo para a prática delituosa, criando condições para uma eventual abordagem" posterior, avisa a PSP.
Falsos funcionários de ministério que não existe
A PSP detetou ainda esquema de burla praticado por pessoas "que se fazem passar por funcionários do Ministério dos Assuntos Internos", que nem existe. Andam de porta em porta, bem vestidos e com aparência credível, exibindo documentos do alegado Ministério. Alegam estar a verificar se os cidadãos possuem um documento de identificação válido para um suposto “próximo censo”.
Durante o contacto, os burlões solicitam dados pessoais e, em alguns casos, pedem para tirar fotografias; recolher impressões digitais; confirmar informações constantes numa lista de nomes; utilizar equipamentos como computadores portáteis e dispositivos biométricos.
O objetivo será obter dados pessoais e, eventualmente, praticar furtos ou outros crimes.
Nesse sentido, a PSP dá vários conselhos:
• Não forneça quaisquer dados pessoais por telefone;
• Não aceite visitas ou “ajudas” fora dos canais oficiais;
• Não permita a entrada de desconhecidos em casa.
• Em caso de dúvida, termine a chamada e contacte de imediato a PSP.
A PSP aconselha quanto a burlas digitais:
• Não faça qualquer tipo de transferência de dinheiro para pessoas que anunciam na Internet, sem que esteja certo que o anunciante é legítimo;
• Guarde todas as trocas de e-mails, fotos e mensagens, caso o eventual negócio acordado não termine conforme o pretendido e denuncie de imediato o crime às autoridades;
• Não aceda a endereços enviados através de e-mails de outras plataformas para efetuar um negócio, pois poderá estar a ser enviada uma página falsa;
• Solicite referências ou dados adicionais sobre os produtos à venda (exemplos de outras fotos, em perspetivas específicas, entre outros);
• Pesquise os dados e contactos do anunciante, pois poderá haver referências a burlas anteriores, especialmente em fóruns ou blogues temáticos;
• Desconfie dos anúncios em que os preços são claramente abaixo do valor de mercado, ainda que tal preço tenha por base, alegadamente, um motivo válido;
• Desconfie dos proprietários que não disponibilizam um contacto telefónico no anúncio, que o número seja estrangeiro ou que nunca se consiga estabelecer contacto;
• Desconfie quando o anúncio é mal redigido, ou na troca de e-mails existam erros gramaticais, de pontuação ou tempos verbais incorretos, indicativos de que foram utilizados tradutores;
• Não efetue transferências para contas bancárias estrangeiras, pois podem ser utilizadas em esquemas fraudulentos.
A PSP aconselha quanto a burlas presenciais:
• Se detetar algum movimento estranho no seu prédio ou bairro, contacte de imediato a PSP;
• Fale com os polícias do policiamento de proximidade e transmita-lhes todos os pormenores que possam parecer suspeitos, como pessoas e viaturas “novas” na sua rua, anotando características e matrículas. Tenha os contactos de emergência e da Esquadra da PSP sempre em local de fácil acesso;
• Se baterem à sua porta para pedir informações, não a abra. Oiça o recado e registe em papel. Se abrir a porta, mantenha sempre a corrente de segurança e não permita que estranhos entrem na sua residência;
• Não faculte os seus dados pessoais, nem responda a questionários sobre si, sem saber se é fidedigno e a que empresa pertence. Pode ligar para a empresa em questão e confirmar a existência desse inquérito ou levantamento de dados;
• Não receba nenhuma encomenda que não tenha solicitado ou que não venha em seu nome;
• Não diga a ninguém se possuir objetos valiosos na sua casa e não comente hábitos ou rotinas da família com outras pessoas. Não tenha grandes quantias de dinheiro em casa e guarde os objetos de valor em cofres;
• Não se deixe enganar com a presença de crianças.
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