Há coisas que qualquer criança sabe em Portugal desde anteontem, e uma é que as ‘offshores’ são um esconderijo de bandidos inclementes – e que os paraísos fiscais não foram criados por democracias, uma vez que estas são boas e virtuosas e os ‘paraísos fiscais’ são maus e fazem mal à saúde das democracias, que são regimes onde ninguém recorre a ‘offshores’.
Ontem fomos acordados pela exigência da esquerda portuguesa para que se coloque um fim ao ‘offshore’ da Madeira, uma medida que deixaria outros ‘offshores’ muito agradecidos, além de embevecidos com os bons sentimentos das autoridades portuguesas.
Houve, ao longo do dia, quem recordasse a lista dos políticos que, ao longo da década, têm prometido o fim desses ‘infernos fiscais’ – e houve quem pedisse mais ética em matéria de impostos (ao jeito do ministro que pediu para não abastecer com gasolina espanhola), além de o secretário de Estado do Fisco ter prometido espremer até ao último cêntimo quem tenha dinheiro no Panamá. Somos muito bons a providenciar virtudes para os outros e a dar – de graça – lições de moral.
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