As ‘redes sociais’ apreciaram que a infanta Leonor, 12 anos, filha do rei de Espanha, tivesse uma cadelinha chamada Sara. Os animais valem tudo. Posso ser um mau caráter desprezível, mas se gostar da companhia de galinhas, cágados, gatinhos ruivos ou cãezinhos incontinentes, consigo logo ‘likes’ no Facebook.
Portanto, as ‘redes sociais’ apreciaram o gosto da infanta, mas acharam desprezível que ela se declarasse leitora de Stevenson ou de Lewis Carroll – a malfadada elitista que, ainda por cima, gosta de filmes de Akira Kurosawa, o maravilhoso realizador de ‘Ran’, ‘Dersu Uzala’ (‘A Águia das Estepes’) ou ‘Os Sete Samurais’.
Qualquer um destes filmes pode e deve ser visto por miúdos de 12 anos, mas as ‘redes sociais’ castigaram Leonor – em primeiro lugar, por imperativo ‘republicano’; em segundo lugar, porque além de elitistas, os gostos (Robert Louis Stevenson! Lewis Carroll!) são ‘incomuns’.
Ela devia gostar de Miley Cyrus ou Selena Gomez para ser republicana, e ler, digamos, os ‘tweets’ da canalha. Qualquer dia é apanhada a ler Jane Austen ou, pior, o ‘Quixote’.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.
As superpotências estão mais frágeis e os conflitos mais imprevisíveis.
Todos estão insatisfeitos, preocupados, escandalizados ou em torpor profundo.
Na literatura, por exemplo, é muito raro encontrar novos autores que não estejam marcados pelo ferrete da vitimização e da queixinha.
Retratista único, Goya é um dos génios de Espanha e da Europa.
Trump, afinal, pode ser contrariado. O seu poder tem limites.